O que mudou no panorama dos resíduos sólidos urbanos no Brasil em 2017?

Por 11/10/2018Outros

Temos frequentemente falado à respeito da deficiência na disposição adequada de resíduos sólidos no país e de como a falta de boas práticas no despejo final tem trazido consequências muito prejudiciais para, inclusive, a situação de contaminação hídrica no país, como por exemplo, a ameaça que o chorume traz aos ambientes onde a disposição do lixo não é feita de forma legal.
Uma das principais ferramentas, hoje, para acompanhamento da situação dos resíduos urbanos é o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, documento lançado anualmente pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. O panorama de 2017 já está disponível e destacamos aqui alguns pontos para análise:

Os números referentes à geração de RSU revelam um total anual de 78,4 milhões de toneladas no país, o que demonstra uma retomada no aumento em cerca de 1% em relação a 2016. O montante coletado em 2017 foi de 71,6 milhões de toneladas, registrando um índice de cobertura de coleta de 91,2 % para o país, o que evidencia que 6,9 milhões de toneladas de resíduos não foram objeto de coleta e, consequentemente, tiveram destinação final indevida. A porcentagem de resíduos que tiveram seu destino correto, em aterros sanitários, permaneceu praticamente a mesma do ano anterior, demonstrando a dificuldade que o país ainda está tendo em cumprir com as metas para erradicação dos lixões.

Anos após a aprovação da legislação que proíbe o despejo em lixões, ainda nos deparamos com 40,9% dos resíduos coletados (cerca de 29 milhões de toneladas) sendo despejados em lixões, sem quaisquer medidas para proteção do meio ambiente diante da contaminação, para mitigação de impactos negativos ou sequer tratamento do chorume produzido pelo lixo.
A população brasileira apresentou um crescimento de 0,75% entre 2016 e 2017 bem como a geração per capita de RSU, que apresentou aumento de 0,48%. A geração total de resíduos aumentou 1% no mesmo período, atingindo um total de 214.868 toneladas diárias de RSU no país.

A região Sudeste continua respondendo por cerca de 53% do total de resíduos coletados e apresenta o maior percentual de cobertura dos serviços de coleta do país. Os 1.668 municípios da região geraram a quantidade de 105.794 toneladas diárias de resíduos, dos quais 98,1% foram coletados, porém, de todo esse montante coletado, 27,6% tiveram sua destinação feitas de maneira imprópria.

Disposição final de RSU no Brasil por tipo de destinação (toneladas/dia)

Nacionalmente, a disposição final adequada de RSU corresponde a 59,1% do montante anual, que é o lixo encaminhado para aterros sanitários. As unidades inadequadas, como lixões e aterros controlados ainda estão presentes em todas as regiões do país e receberam mais de 80 mil toneladas de resíduos por dia com elevado potencial de poluição ambiental e impactos negativos à saúde.

Pudemos observar, portanto, que a realidade da disposição de RSU no Brasil está muito longe daquela prevista por lei, basta observarmos que foi estendido o prazo para eliminação completa dos lixões no país. É necessário que o setor privado e políticas públicas colaborem mutuamente para viabilizar a redução desses índices tao desfavoráveis ao meio ambiente.

Fonte: ABRELPE (Panorama de Resíduos Sólidos 2017)

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