A importância do BIM em projetos de infraestrutura urbana

Por 05/07/2018Outros

A compatibilização de projetos de engenharia ou arquitetura sempre foi um processo longo, que demanda, além do tempo, de disposição e muita atenção às especialidades envolvidas. A compatibilização dentro dos projetos de infraestrutura urbana (são eles os projetos de redes de abastecimento de água, rede de coleta de esgoto, redes de drenagem, águas pluviais e terraplenagem) pode ser ainda mais delicada, à medida que a concepção destas redes deve estar atenta à rede viária e às diversas outras redes já existentes e, por geralmente serem projetos que contemplam grandes áreas, torna-se uma missão quase impossível checar todos os pontos de interferências de antemão. Desse modo, conflitos críticos aparecem em etapas de projeto muito avançadas, promovendo um elevado gasto de tempo na resolução dos mesmos e no retrabalho de uma nova concepção. Como consequência, há, também, o aumento do custo vinculado ao tempo adicional de trabalho e ainda o risco de descumprimento de prazos. Projetos de infraestrutura urbana abrangem áreas muito complexas, portanto, para se ter uma compatibilização eficiente por meio das análises usuais.

Foi aí que a utilização de modelos BIM (sigla para Building Information Model, traduzido em Modelagem da Informação da Construção ou Modelo da Informação da Construção) tornou-se tão importante para a validação das etapas iniciais de projeto. A tecnologia BIM é uma forma de integrar e relacionar todas as informações de um projeto, desde características básicas de sua geometria, informações iniciais do entorno até a possibilidade de obtenção de orçamentos bastante detalhados a partir do projeto concebido. Por meio da utilização desse processo integrado, pode-se, entre outros benefícios, identificar inconsistências na etapa de concepção de projetos de infraestrutura urbana, antecipando os problemas que seriam identificados em etapas posteriores, já no detalhamento das redes.

A utilização de modelos BIM para confecção de projetos demanda um investimento inicial de tempo. Como demonstra o famoso conceito criado pelo arquiteto norte-americano Patrick MacLeamy, a chamada curva MacLeamy, que demonstra o custo e esforço bastante elevados na etapa inicial do projeto, para que, posteriormente, obtenha-se maior controle sobre as etapas.

O engenheiro Rodrigo Losito, especialista em projetos de infraestrutura da Sharewater, identifica a importância da transição da equipe para a utilização de modelos BIM, e destaca o emprego da tecnologia em um projeto de redes de infraestrutura portuária para um terminal na cidade de Santos, com cerca de 10 km de redes hidráulicas projetadas e travessia de 7 canais de águas pluviais da cidade que atravessavam a região do projeto: “O modelo BIM foi implementado desde a fase de concepção do projeto, possibilitando a identificação dos pontos críticos através da sobreposição das diferentes redes de infraestrutura hidráulica, tanto existentes quanto projetadas. As interferências foram identificadas e resolvidas antes da elaboração do projeto executivo de cada rede, prevenindo retrabalhos excessivos em etapas posteriores”.

A antecipação de conflitos entre disciplinas e interferências entre projetos de diversas origens, por meio da modelagem BIM pode, portanto, favorecer a eficiência do serviço, conduzindo à redução de erros e inconsistências, ao cumprimento de prazos e, ainda, evitando gastos imprevistos no orçamento global.

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